Será que é possível identificar antecipadamente bolhas de crédito e de imobiliário?
27 Setembro 2009
[Paper] “SIGNALS FROM HOUSING AND LENDING BOOMS”
[Autores] Irina Bunda e Michele Ca’ Zorzi
[Publicação] BCE, Setembro 2009
[Classificação JEL] E32, F31, F37
[Palavras Chave] Early warning system, financial crises, house prices, credit booms
(Newsletter nº102 | 28 SET | 2009)
Os autores identificam variáveis que podem funcionar como indicadores avançados que, face a período marcados por aumentos de endividamento e de preços de imobiliário, permitam distinguir entre os episódios benignos e os que, provavelmente, acabarão em crises bancárias ou cambiais. Defendem que “défices externos elevados, redução de competitividade ao nível dos preços, forte crescimento real e níveis elevados no rácio de dívida pública pelo PIB aumentam a probabilidade de que os “booms” de crédito e imobiliário sejam acompanhados de tensões no mercado financeiro após o pico do boom”.
[Artigo] Quando o crédito e o mercado de habitação estão em expansão será possível distinguir entre episódios que se tornam bolhas que resultam em fortes crises e recessões e o outros que se revelam expansões sustentadas? Os autores procuram a resposta recorrendo à literatura dedicada aos sinais avançados de aviso (“early warning signs”) que se desenvolveu após as crises asiáticas dos anos 90.
[Abordagem] Primeiro identificam períodos em que rebentaram bolhas, e concentram-se na sua fase de expansão. Depois analisam quando é se registaram crises de taxas de câmbio e bancárias. Juntam as duas informações e concentram-se apenas nas bolhas que, após o pico, geraram fortes tensões financeiras. Criam um modelo que estima a probabilidade de que um rebentamento resulte numa crise em função de conjunto de variáveis fundamentais.
[Conclusões] O modelo consegue antecipar 90% dos “booms” de crédito e 81% dos “booms” residenciais que acabam por gerar fortes tensões financeiras. O problema é que o modelo também dá muitos falsos alarmes.
[Comentário] Na semana passada o FMI veio defender que os bancos centrais devem agir antecipadamente sobre bolhas que possam vir a por em causa a estabilidade financeira. Os banqueiros tendem a discordar, e um dos argumento mais frequentes é o de que, a priori, não se consegue perceber se um aumento de preços ou de crédito é uma bolha ou apenas um ajustamento no mercado a transformações económicas, situação em que os “booms” podem ser benignos.
— e.conomia.info
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