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Qual será o impacto das recessões nas crenças sócio-económicas das gerações?
13 Setembro 2009

[Paper] “Growing Up in a Recession: Beliefs and the Macroeconomy”

[Autores] Paola Giuliano e Antonio Spilimbergo

[Publicação] IZA, Agosto 2009

[Classificação JEL] P16, E60, Z13

[Palavras Chave] beliefs formation, macroeconomic shocks

(Newsletter nº100 | 14 SET | 2009)

“Os indivíduos que crescem durante recessões tendem a acreditar que o sucesso na vida depende mais da sorte do que do esforço, apoiam mais a redistribuição pelo governo, mas são menos confiantes nas instituições públicas. Além, disso as recessões têm efeitos duradouros nas crenças dos indivíduos”. Estas são as principais conclusões deste artigo publicado no instituto alemão IZA. Os dois economistas (da Universidade da Califórnia e do FMI, ver nota lateral) usam dados dos Estados Unidos dos últimos trinta anos e analisam o impacto de choques económicos a nível regional nas crenças socioeconómicas dos indivíduos que, no momento das recessões, tinham entre 18 e 25 anos.

[Artigo] Será que os grandes choques macroeconómicos têm impactos nas crenças dos indivíduos? E se tiverem impacto, será que afectam por igual as várias gerações? Acontecendo, será que as transformações têm lugar quase automaticamente ou levam tempo a acontecer? E, acontecendo, são transformações que perduram ou que afectam apenas um período de tempo pós-crise? Estas são algumas questões a que os autores respondem no artigo publicado este mês.

[Abordagem] Os dois economistas analisam as respostas a um inquérito nacional (General Social Survey – GSS) dos EUA, considerando as variações das respostas no tempo e entre regiões. O GSS tem dados anuais para 30 anos. Os autores dividem as respostas por regiões para isolarem os choques que cada uma delas experimentou em vários momentos do tempo. Consideram as pessoas que, na altura dos choques, tinham entre 18 e 25 anos.

[Conclusões] Os autores defendem que as recessões têm mais impacto nas crenças dos indivíduos quando estes têm idades compreendidas entre os 18 e os 25 anos. Ao nível da confiança no Governo, os indivíduos mostram-se sensíveis a recessões até aos 40 anos. Depois dos 40 anos as pessoas tendem a não alterar crenças em reacção a choques económicos negativos. Ou seja os impactos da crise que hoje vivemos podem ser especialmente fortes entre os mais jovens.

[Comentário] Com uma das mais profundas crises do último século ainda a fazer vítimas, os dois autores avisam que os impactos deste evento poderão ser bem mais profundos e extensos do que os efeitos económicos imediatos. Os jovens de hoje poderão ser influenciados de forma difícil de antecipar. A verificarem-se as conclusões dos dois autores serão de esperar nos próximos anos impactos políticos um pouco por todo o mundo ocidental.

— e.conomia.info

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