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Políticas do FMI e da EU prejudicam Hungria, Letónia e Ucrânia
13 Setembro 2009

[Paper] “The IMF’s Stand-by Arrangements and the Economic Downturn in Eastern Europe”

[Autores] José António Cordero

[Publicação] CEPR, Setembro 2009

[Classificação JEL]

[Palavras Chave]

(Newsletter nº100 | 14 SET | 2009)

Os acordos que os três países do Leste Europeu tiveram de firmar com o FMI para evitarem uma crise pagamentos ao exterior está a prejudicá-los, defende o economista do Center for Economic and Policy Research. Os acordos impuseram políticas restritivas do ponto de vista orçamental e monetário. No caso da Letónia, o país foi ainda prejudicado pela manutenção da taxa de câmbio com o euro, o que lhe dificultou a reacção ao abrandamento económico mundial. Cordero defende que a única verdadeira restrição que estes países enfrentam é o acesso a fundos, o que pode ser garantido pelo FMI, significando que as políticas restritivas impostas não eram necessárias.

[Artigo] Os países do Leste europeu foram das economias emergentes mais afectadas pela crise. Elevados níveis de endividamento e estruturas económicas e produtivas frágeis ditaram a eminência de crises nas balanças de pagamentos que só puderam ser evitadas com a injecção de fundos pelo FMI. Em troca a instituição exigiu políticas económicas restritivas muito fortes. Faz sentido?

[Abordagem] O autor descreve a evolução das principais variáveis económicas em cada um dos países. Lembra as análises que o FMI tinha feito destas economias no passado recente e que desvalorizavam os riscos. Expõe depois as condições impostas pelo Fundo em termos de política económica e defende que são receitas erradas, como o comprovam as recessões muito pronunciadas que agora se esperam.

[Conclusões] A economia húngara deverá contrair 6% a 7% este ano. A Letónia, com a penalização adicional de ter uma taxa de câmbio fixa com o euro, deverá contrair cerca de 18%. Para a Ucrânia a previsão é de um recuo de 9% no PIB este ano. O autor defende que estes resultados se devem, em parte importante, às políticas restritivas em termos orçamentais e monetários impostas pelo FMI com o apoio da União Europeia. Cordero defende o FMI tem recursos suficientes para poder deixar estas economias assumirem políticas anticíclicas sem terem recearem a incapacidade de obterem financiamento externo.

[Comentário] O que o FMI e a UE impuseram a estas economias foi exactamente a receita oposta à prescrita às economias desenvolvidas. Com a crise, o FMI ganhou novo protagonismo, viu os seus fundos reforçados e adoptou uma retórica menos radical e mais humilde sobre as reformas económicas. No entanto, na prática, e aos países que mais precisam, a instituição parece continuar a impor políticas que funcionaram mal no passado, nomeadamente nas crises asiática e argentina.

— e.conomia.info

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