A importância de regular as agências de rating
5 Julho 2009
[Paper] “The Systemic Regulation of Credit Rating Agencies and Rated Markets”
[Autores] Amadou N.R. Sy
[Publicação] FMI, Junho 2009
[Classificação JEL] G01, G18, G24, G28
[Palavras Chave] Rating agencies, financial crises, structured credit products, macro-prudential, micro-prudential, regulation, systemic risk, procylicality
(Newsletter nº093 | 6 JUL | 2009)
O papel das agências de “rating” é demasiado importante para que estas continuem no regime de quase auto-regulação que lhes tem sido permitido. E não chega mais regulação micro-prudencial que minimize os conflitos de interesse, a falta de transparência e a pouca concorrência que caracterizam esta pequena e poderosa indústria. É necessário ir mais longe, criando regulação sistémica que reduza os riscos decorrentes de “crises de ratings” (definidas como cortes abruptos das notações de risco em plenas crises financeiras), um evento frequente e perigoso. Estas são conclusões de um recente estudo publicado pelo FMI, onde o autor evidencia a extraordinária eficácia das agências na resistência a mais regulação.
[Artigo] As agências de “rating” deram um contributo significativo para esta crise financeira. Como aliás também deram em anteriores. Além de optimismo que as caracteriza nas fases altas do ciclo, as agências contribuem para o adensar dos problemas através de alterações bruscas de ratings após o estalar dos problemas no sistema financeiro. Considerando empresas, produtos e soberanos o autor identificou uma média de uma “crise de ratings” de três em três anos nos últimos 22 anos. O autor propõe novas regras regulatórias, concentrando-se no risco sistémico que decorre destas crises.
[Abordagem] O autor analisa o papel destas agências no sistema financeiro e explica o seu comportamento nesta crise e nas anteriores. Analisa ainda os actuais enquadramentos legais e regulatórios na Europa e nos EUA. Faz depois uma síntese do principal recomendações de regulação, acrescentando-lhe propostas suas.
[Conclusões] Os reguladores devem desenhar “mapas de ratings” que lhes permitam ter uma ideia das interligações entre produtos e empresas que, em cada momento, estão dependentes de determinados níveis de “rating”. Feitos esses mapas que permitirão quantificar e analisar o risco sistémico decorrente das notações de risco, as autoridades deverão ponderar exigir rácios de capital mais elevados às instituições financeiras que estejam mais vulneráveis a alterações de opinião por parte das agências.
[Comentário] É difícil compreender como é que o sistema financeiro mundial depende tanto de três empresas (Standard&Poor’s, Moody’s e Fitch) que vivem num oligopólio quase não regulado. Uma situação que, contra o bom senso e diagnósticos anteriores, se tem mantido ao longo dos anos e das crises. O estudo dá uma boa perspectiva sobre os problemas que envolvem esta indústria.
— e.conomia.info
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