Aumento do salário mínimo dos jovens melhora qualidade dos empregos
6 Julho 2009
[Paper] “Long-Term Impact of Youth Minimum Wages: Evidence from Two Decades of Individual Longitudinal Data”
[Autores] Ana Rute Cardoso
[Publicação] IZA, Junho 2009
[Classificação JEL] J08, J31, J24, J38
[Palavras Chave] skill formation, human capital investment, on-the-job-training, career, long-term, linked employer-employee data
(Newsletter nº093 | 6 JUL | 2009)
O aumento do salário mínimo dos jovens gera um prémio salarial de longo prazo que é consistente com uma melhoria da qualidade dos postos de trabalho e da formação inicial oferecidas pelas empresas. Esta é a conclusão central do artigo de Ana Rute Cardoso que estuda o impacto que o aumento do salário mínimo dos jovens decidido em Portugal em meados dos anos 80.
[Artigo] Os efeitos do aumento do salário mínimo dos jovens gera acesos debates. De um lado estão os que defendem que custos salariais mais elevados implicam mais desemprego e menos investimento das empresas em formação. Do outro estão os que defendem que um aumento do salário mínimo leva as empresas a melhorarem a qualidade dos empregos que oferecem, incentiva os trabalhadores a investirem na sua própria formação e promove uma relação mais profunda do trabalhador com a empresa. O que nos dizem os estudos empiricos?
[Abordagem] Em 1987/88 o salário mínimo dos jovens foi aumentado em 33% e 50%, dependendo da idade dos jovens. Com base nesta alteração, a economia usa a base dos quadros de pessoal do ministério do Trabalho – que tem dados de cada trabalhador e empresa portuguesas – para analisar os impactos na evolução salarial entre 1987 e 2005 dos jovens que foram expostos a um salário mínimo mais elevado.
[Conclusões] Além do prémio salarial de longo prazo avaliado entre 5% a 13%, o aumento do salário mínimo gera também um perfil temporal de aumentos salariais menos acentuado. Tal poderá resultar de um maior investimento da empresa e do trabalhador no emprego em causa – se assim for, então as empresas não necessitam de ter escalas de progressão salarial ao longo do tempo muito íngremes para incentivar a manutenção dos trabalhadores.
[Comentário] Numa leitura conservadora, o estudo limita muito os argumentos dos que se opõem a aumentos razoáveis do salário mínimo dos jovens. Dá ainda armas aos que vêem a relação trabalhador/empresas como uma relação que deve ser baseada em empenho e reconhecimento mútuo.
— e.conomia.info
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