Sucesso das energias renováveis a médio prazo será limitado
22 Junho 2009
[Paper] “The Economics of Renewable Energy”
[Autores] Geoffrey Heal
[Publicação] NBER, Junho 2009
[Classificação JEL] Q3,Q4,Q5
[Palavras Chave]
(Newsletter nº091 | 22 JUN | 2009)
O gradual aquecimento da atmosfera e as consequentes transformações climáticas e os desafios colocados pela excessiva dependência do petróleo – cujo preço nos últimos anos tem sido um quebra-cabeças económico e político – estão a levar os governos dos países desenvolvidos a apostarem num regresso à energias primitivas. Os exemplos vão de Obama a Sócrates. Mas será que as principais renováveis, como as energias solar e a eólica, poderão dar uma resposta satisfatória aos desejados e necessários objectivos de redução de emissões de dióxido de carbono? Geoffrey Heal, economista da Universidade de Columbia diz que não, uma posição que fundamenta pelas inevitáveis intermitências na produção destas energias as quais decorrem do facto de nem sempre haver sol ou vento. A energia nuclear, a captação e armazenamento de carbono e medidas de eficiência energética terão sempre de fazer parte da solução no médio prazo.
[Artigo] Será que a aposta política nas energias renováveis – assente em objectivos ambiciosos para emissões de gases poluentes e em metas de produção das energias de renováveis – está fundamentada em estudos e teoria económica? “Infelizmente não é o caso: há literatura, e algumas contribuições notáveis, mas nada que se aproxime a uma produção que acompanhe o ênfase das renováveis nos círculos políticos”, responde Geoffrey Heal, que com este trabalho procura sintetizar os principais contributos para a economia das energias renováveis, acrescentando-lhe a sua própria análise aos desafios que se colocam às várias alternativas e às propostas de Barack Obama.
[Abordagem] Heal passa em revista os principais contributos académicos desde os anos 70, analisa as vantagens e limitações económicas (e em alguns casos políticas) das várias alternativas e analisa sem grande detalhe os seus custos.
[Conclusões] Até que não sejam desenvolvidas tecnologias eficientes de armazenamento de energias renováveis, “muita da descarbonização da economia terá de vir do nuclear, da captura e armazenamento de carbono (CCS) e da eficiência energética (a geotermal e os biocombustíveis podem dar pequenas contribuições)”, defende o autor que salienta que nuclear e o CCS têm as suas desvantagens e que “novas tecnologias de armazenamento poderiam aumentar de forma significativa o papel das renováveis, mas não há nenhuma à vista”.
[Comentário] Face à certeza da necessidade de reduzir as emissões de dióxido de carbono há muitas incertezas sobre como se desenhará o espectro de utilização das várias alternativas energéticas. Há pelo menos muitas mais incertezas do que as implícitas nos discursos da maioria dos políticos e de muitas empresas de consultoria e de produção de energias renováveis.
— e.conomia.info
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