Crise pode cortar até 4% ao potencial da economia
1 Junho 2009
[Paper] “The Effect of Financial Crises on Potencial Output: New Empirical Evidence from OECD Countries”
[Autores] Davide Furceri e Annabelle Mourougane
[Publicação] OCDE, Maio 2009
[Classificação JEL] E6; H10
[Palavras Chave] Financial crisis; Potential output
(Newsletter nº088 | 1 JUN | 2009)
A actual crise pode cortar até 4% ao PIB potencial da economia, estimam os dois economistas da OCDE. Isto significa que o custo da actual crise não se esgotará na forte contracção no crescimento e no acentuado aumento do desemprego que as economias experimentaram em 2008 e se prolongará pelos próximos anos. Há também impactos permanentes, que cortarão o potencial de crescimento das economias ricas. Os resultados são obtidos a partir de uma análise ao impacto de crises nos 30 países da OCDE entre 1960 e 2007. Dado o pequeno número de crises, os autores não estimam os resultados ao nível de cada país, mas apenas para a média dos países ricos. As crises financeiras tendem a cortar o PIB potencial entre 1,5% e 2,4%, um valor que cresce para 3,8% em caso de crises severas (como a actual).
[Artigo] Uma crise tem impactos de sinais diferentes no PIB potencial da economia (o PIB compatível com uma estabilidade de preços ou, dito de outra forma, o nível de produção que resulta do equilíbrio entre procura e oferta dos recursos na economia, de forma a não gerar pressões de preços). Do lado negativo as crises tendem, por exemplo, a criar condições de financiamento mais restritivas e a elevar o desemprego estrutural das economias. Além disso, tendem também a provocar cortes em despesas de investigação e desenvolvimento. Do lado positivo, o aumento do desemprego conduz muitas pessoas a aumentarem as suas qualificações e pode também trazer novas pessoas para o mercado de trabalho. Do lado das empresas há também um potencial efeito positivo: os ganhos de eficiência em que as empresas apostam para contrariar a crise. Os autores procuram uma resposta empírica à pergunta: será que os impactos negativos superam os positivos?
[Abordagem] Estimam funções de reacção do crescimento potencial às crises. Fazem regressões por vários métodos (ordinary least squares e generalised method of moments) calculando os impactos em “vários” PIBs potenciais (estimados segundo diversas metodologias: função de produção, Hodrick- Prescott).
[Conclusões] As crises financeiras têm forte impactos de longo prazo no PIB potencial das economias avançadas. O resultado é importante por duas razões. A mais imediata é dar a conhecer a profundidade do impacto deste tipo de eventos. A segunda está relacionada com a política económica: se o PIB potencial baixa, então os decisores de política económica pode sobrestimar o output gap das suas economias (a diferença entre o PIB real e o potencial). Como as políticas monetária e orçamental tendem a contrariar o “output gap”, os autores avisam que há o risco dos bancos centrais e dos governos deixarem as taxas de juro demasiado baixas e exagerarem nos estímulos orçamentais, na esperança de impulsionarem economia para o seu nível potencial quando, na verdade, esta já o atingiu. Um erro deste tipo gerará inflação exagerada a prazo.
[Comentário] Os resultados são um contributo importante para uma discussão que começará a ter lugar nos próximos meses. Qual foi o impacto de longo prazo da actual crise? Até quando é que os bancos devem manter as suas políticas monetárias expansionistas? Até onde devem ir em termos de políticas não convencionais? E se após este período de muito baixo crescimento e baixa inflação vier um de muito baixo crescimento e alta inflação? Estas são perguntas que têm preocupado e dividido economias e especialistas. Enquanto não há respostas definitivas, fica uma certeza, a actual crise criada pelos bancos destruiu parte significativa do potencial das economias ricas.
— e.conomia.info
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